BEM - VINDO

Bem - vindo ao Seja como orvalho em terra seca, que você meu amigo possa ser edificado com cada mensagem posta aqui!
Deus te abençoe!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026



IMATURIDADE ESPIRITUAL E MATURIDADE ESPIRITUAL


Toda mãe entende o processo do crescimento. Primeiro, o leite. Depois, a papinha dada na boca. Mas esse ciclo não dura para sempre. Chega o tempo em que a criança precisa aprender a comer sozinha. A mãe continua fazendo o alimento, continua cuidando, mas para de colocar a comida na boca.
Isso não é abandono. É amadurecimento.
Na vida espiritual, muitos permanecem presos às mesmas fases. Vivem dependentes do alimento que vem do pastor, do líder, da célula, do culto de domingo. Já chegam preparados para receber a comida pronta, sabendo que haverá louvor, palavra, tudo organizado.
Mas a pergunta que precisa ser feita é:
como está a vida espiritual fora da igreja?
O que acontece na segunda-feira, quando não há culto?
Na terça, na quarta, quando ninguém está colocando comida na boca?
Muitos substituem a busca pessoal por vídeos, pregações online, mensagens prontas. E embora isso tenha seu valor, ainda não é maturidade plena. Ainda é alguém mastigando e entregando pronto.
Maturidade começa quando nasce o desejo de caminhar alguns passos sozinho.
Pegar a Bíblia.
Abrir.
Ler.
Orar.
Pedir a Deus discernimento, clareza, entendimento.
Não se trata de rejeitar mestres, pastores ou líderes. Deus usa pessoas para ensinar. Mas existe algo que ninguém pode fazer no lugar do outro: buscar a Deus pessoalmente.
Há pessoas com anos de igreja, anos de ministério, mas que não sabem viver a fé fora do templo. Sabem o que fazer dentro da agenda da igreja, mas não sabem sustentar uma vida espiritual no secreto, no cotidiano, no silêncio da casa.
O mesmo empenho para estar no culto, na célula, no grupo, no ministério  precisa existir para estar diante de Deus durante a semana inteira.
Porque Deus não cria filhos para uma dependência espiritual infantil.
Ele continua sendo Pai.
Ele continua provendo o alimento.
Mas espera filhos que aprendam a se servir.
A mesa está posta.
A Palavra está aberta.
Agora, a decisão é pessoal:
continuar esperando alguém dar comida na boca
ou crescer e aprender a comer sozinho diante de Deus.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026



A Oferta de Abel e Caim

 Quando medito sobre a história de Caim e Abel, algo sempre me chama a atenção: de onde surgiu, dentro deles, essa vontade de fazer algo para Deus? Essa iniciativa não nasceu do nada. Ela nasceu de algo que foi transmitido. Caim e Abel não acordaram um dia, olharam para o céu e concluíram sozinhos que existia um Criador a quem deveriam oferecer algo. Eles tinham conhecimento de Deus porque alguém falou de Deus para eles. E esse alguém foram seus pais. Adão e Eva, mesmo depois da queda, não se esqueceram de Deus. Eles sabiam quem Ele era, sabiam o que haviam vivido no Jardim do Éden, conheciam a comunhão que tinham com Ele, o pecado que cometeram e as consequências disso. E tudo isso foi passado adiante. Os pais transmitiram aos filhos o temor do Senhor, a obediência, a importância do relacionamento, da intimidade e da comunhão com Deus. O que muda, então, não é o que foi ensinado, mas como cada filho absorveu esse ensinamento. Abel absorveu profundamente tudo aquilo que recebeu. Aquilo desceu ao coração, criou raízes e gerou algo dentro dele: desejo de relacionamento com Deus. E desse relacionamento nasceu uma consequência natural: o desejo de dar algo para Deus. A oferta não foi o começo; ela foi o resultado. O relacionamento veio primeiro, e a oferta foi consequência desse relacionamento. Caim também absorveu, mas de forma superficial. Seu relacionamento com Deus era raso, e, por isso, sua entrega também foi rasa. A consequência foi diferente, não porque os pais ensinaram de forma diferente, mas porque a absorção foi diferente. Relacionamento superficial gera atitudes superficiais. Aqui aprendemos algo muito sério e muito lindo ao mesmo tempo: a consequência da absorção espiritual aparece nas atitudes. Aquilo que entra profundamente no coração gera frutos profundos. Aquilo que entra superficialmente gera frutos superficiais. Quando a Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar”, ela está falando de apresentar Deus, de viver Deus diante dos filhos, de transmitir quem Ele é. Os pais lançam a semente, mas cada filho decide o quanto essa semente vai penetrar no coração. O relacionamento com Deus gera consequências. E uma delas é o desejo de agradá-Lo, de se relacionar com Ele, de oferecer algo que nasce de dentro, não por obrigação, mas como resposta de um coração que aprendeu a amar a Deus.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026


A genealogia imperfeita de um Salvador Perfeito -

Quando li Mateus, capítulo 1, a genealogia de Jesus, percebi algo muito marcante: ela não é uma lista limpa. Não é uma sequência de nomes idealizados, de pessoas exemplares, de histórias bonitas e bem resolvidas. Pelo contrário. Ali estão homens falhos, reis perversos, histórias manchadas e mulheres marcadas por dor, injustiça e, muitas vezes, pelo pecado alheio.

Mateus poderia simplesmente citar nomes. Poderia selecionar apenas reis honrosos, personagens respeitados, trajetórias que nos deixassem confortáveis. Mas ele não faz isso. A genealogia de Jesus é real, crua, honesta. E isso já diz muito sobre quem Jesus é.

Jesus não nasce de uma linhagem ideal, mas de uma linhagem real.

Tirando o próprio Cristo o único santo e perfeito todos os que aparecem ali, de Abraão até a última geração, falharam. Todos pecaram. Alguns cometeram atos terríveis. Mesmo assim, foi dessa descendência que Jesus veio. Ele não se originou de uma história pura, mas entrou na história quebrada da humanidade.

Logo no início, lemos: “Abraão gerou Isaque; Isaque gerou Jacó; e Jacó gerou Judá e seus irmãos” (Mateus 1:2).

Judá está ali. O mesmo Judá que participou da venda de José, que consentiu em jogá-lo na cisterna e vendê-lo como escravo (Gênesis 37:26–27). Um homem marcado pela culpa e por decisões erradas. Ainda assim, esse mesmo Judá aparece novamente de forma surpreendente na história.

Em Gênesis 44, diante de José agora governador do Egito, quando Benjamim corria o risco de ficar preso, Judá se levanta. Ele se oferece para ficar no lugar do irmão: “Agora, pois, fique teu servo em lugar do moço por escravo de meu senhor, e que o moço suba com seus irmãos” (Gênesis 44:33).

Judá se coloca no lugar de outro para que o outro seja livre. Ele aceita a prisão para que Benjamim volte para casa e para que o pai não morra de tristeza. Quando leio esse texto, vejo claramente um reflexo de Cristo. Um se entrega para que o outro viva. Um fica no lugar do outro para que haja liberdade. As Escrituras, mais uma vez, apontando para Jesus desde o princípio.

A genealogia também traz nomes como Manassés, um rei perverso, idólatra, violento, que fez o que era mau diante do Senhor (2 Reis 21). Mas também um homem que se humilhou, se arrependeu e foi restaurado (2 Crônicas 33:12–13). O nome dele permanecer ali mostra que Deus não apaga o passado, mas transforma o futuro quando há arrependimento.

E então Mateus faz algo ainda mais impactante: ele cita mulheres. Em uma genealogia judaica, isso já é significativo. Mas não são mulheres citadas ao acaso.

Raabe aparece ali (Mateus 1:5). Raabe, a prostituta de Jericó, marginalizada, desprezada pela sociedade, mas que creu no Deus de Israel e foi poupada (Josué 2; Josué 6:25). Ela não foi esquecida. Ela foi incluída.

Nesse mesmo versículo, Mateus também cita Rute. “Boaz gerou Obede, de Rute” (Mateus 1:5).

Rute era moabita. Não era israelita, não era hebreia, não fazia parte do povo da aliança por nascimento. Vinha de um povo pagão, estrangeiro, historicamente inimigo de Israel. Ainda assim, ela escolhe permanecer com Noemi e declara: “O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus” (Rute 1:16).

Rute entra na linhagem de Jesus não por sangue, mas por fé. Sua presença na genealogia mostra que Deus não está limitado à etnia, à origem ou à história de um povo. O Messias não nasce apenas de judeus de nascimento, mas de alguém que foi acolhida, enxertada e amada. Deus também não se esqueceu de Rute. Ele a trouxe para dentro da história da redenção.

E Mateus escreve: “Davi gerou Salomão da mulher que fora de Urias” (Mateus 1:6).

Ele não diz o nome dela. Ele diz quem ela foi: a mulher de Urias. Bate-Seba não é apresentada como a mulher de Davi, mas como a mulher que foi arrancada de Urias. Urias não morreu de velhice. Foi morto por ordem de Davi (2 Samuel 11).

Esse detalhe não é pequeno. Deus não romantiza o pecado. Deus não encobre a injustiça. Deus honra a verdade da história e lembra que aquela mulher tinha um marido, tinha uma vida, tinha uma história interrompida.

Mesmo assim, Bate-Seba está ali. Deus não se esqueceu dela. Mesmo sem citar seu nome, Ele a inclui na linhagem do Messias. Isso mostra que Deus vê quem foi silenciado, quem foi ferido, quem foi injustiçado.

A genealogia de Jesus nos ensina algo profundamente consolador: Deus não espera histórias perfeitas para agir. Ele entra em histórias reais. Histórias quebradas. Histórias marcadas por erros, dores e perdas.

Jesus veio justamente porque a humanidade não estava pronta. Se a linhagem fosse perfeita, Ele não precisaria vir. Mas Ele veio, assumiu essa descendência, entrou nessa história e a redimiu.

Essa genealogia não prepara apenas o nascimento de Jesus. Ela revela o tipo de Salvador que Ele é: um Salvador que se identifica com a nossa realidade, que se coloca no lugar do outro, que vê os esquecidos e que transforma histórias manchadas em caminho de redenção.

Deus nunca esteve indiferente. Seus olhos sempre estiveram sobre cada nome, cada dor e cada história inclusive a nossa.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025


📖 “Onde estás?” — Uma pergunta relacional


Ao ler Gênesis 3:9, quando Deus pergunta a Adão: “Onde estás?”, algo muito profundo me chamou a atenção.
Aprendi que no hebraico, a palavra usada ali é “Ayeká” (אַיֶּכָּה), formada pelas letras A, Y, E, K, A. Essa palavra, embora geralmente traduzida como “onde estás?”, não carrega apenas um sentido geográfico, de localização física, mas um sentido relacional.

Deus não estava perguntando em que lugar Adão se escondia, porque Ele é onisciente. Ele sabia exatamente onde Adão estava. A pergunta não era: “Em que lugar você está?”, mas sim:
“Onde você está em relação a Mim?”
“Você ainda está comigo?”

Isso é algo profundamente bonito e impactante, porque revela o coração de Deus. Ele não chega com condenação, julgamento ou desaprovação. Ele chega com uma pergunta que chama para o relacionamento.

🌿A pergunta de um Pai

Deus sempre andava com Adão no jardim, conversava com ele na viração do dia. Deus era o Pai; Adão, o filho. Quando Deus pergunta “Onde estás?”, é como se dissesse:

“Onde está aquele relacionamento que nós tínhamos?”
“Onde está o seu coração agora?”
“Por que você se escondeu de Mim?”

 Adão responde dizendo que ouviu a voz de Deus e teve medo, porque estava nu, e por isso se escondeu. Isso revela algo muito forte: o pecado gerou medo, algo que nunca havia existido naquela relação.

E então Deus faz outra pergunta:

“Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore que eu te ordenei que não comesses?”

 Deus não precisava dessas respostas. Ele já sabia. Mas Ele abriu espaço para que houvesse confissão, arrependimento, reconciliação.

⚖️A autojustificação humana

O que vemos, porém, é que Adão não confessa. Ele não diz:
“Pequei, errei, me perdoa.”

Em vez disso, ele transfere a culpa:

  • culpa a mulher

  • e, indiretamente, culpa o próprio Deus: “A mulher que tu me deste”

Depois, a mulher culpa a serpente.

Isso revela algo muito humano algo que carregamos até hoje. Desde pequenos, aprendemos a nos justificar, a explicar nossos erros, muitas vezes por medo da punição. Crescemos e fazemos o mesmo com Deus, como se Ele precisasse das nossas explicações.

Mas Deus não espera justificativas.
Deus espera verdade, arrependimento e um coração quebrantado.

 😔O medo de quem é amado

Algo que me toca profundamente é isso:
por que ter medo de alguém que nos ama?

O medo não vem de Deus. Ele nasce quando a relação é quebrada. O pecado cria vergonha, distância, esconderijos. Adão se escondeu não porque Deus deixou de amar, mas porque ele deixou de confiar.

Por isso, essa pergunta “Onde estás?” — é tão forte. Ela não fala de localização. Ela fala de coração.

A Bíblia diz:

“Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”

É como se Deus estivesse perguntando a Adão — e a nós:

“Onde está o teu coração?”
“Ele ainda está comigo?”

 

 🔥Uma pergunta que ecoa até hoje

Essa pergunta não ficou no Éden.
Ela ecoa até hoje na vida de cada um de nós.

Quantas vezes Deus nos pergunta:

“Onde estás?”
“Você ainda caminha comigo?”
“Por que você se escondeu?”

Não é uma pergunta de condenação.
É uma pergunta de amor.

O hebraico revela camadas profundas que muitas traduções não conseguem expressar totalmente. Por isso, conhecer o original não é desprezar a tradução, mas aprofundar o entendimento espiritual do texto.

✨ Reflexão final

Deus nunca perdeu Adão no jardim.
Deus percebeu que perdeu Adão no relacionamento.

Mesmo assim, foi Deus quem deu o primeiro passo.
Foi Deus quem chamou.
Foi Deus quem perguntou.

“Onde estás?”
É a pergunta de um Pai que ama, que busca, que chama para perto novamente.

E talvez, hoje, essa pergunta seja para nós.

Onde estamos?
Onde está o nosso coração?
Estamos escondidos… ou ainda caminhando com Ele?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025


 Esses dias, conversando com alguém, ouvi uma frase que ficou ecoando dentro de mim:

“Voltei a frequentar a igreja.”

A frase não é errada. Ela carrega, inclusive, um desejo sincero. Mas, enquanto a conversa seguia, algo foi ficando claro no meu coração: muitas vezes, nos preocupamos tanto em frequentar uma igreja, uma instituição religiosa, que acabamos deixando em segundo plano aquilo que é essencial ter vida com Deus.

Foi ali que compartilhei algo simples, mas profundo: mais importante do que estar num templo é viver Cristo. Porque frequentar uma igreja, por si só, não garante relacionamento, não garante transformação, não garante que a luz de Cristo esteja sendo refletida no nosso dia a dia.

E foi a partir dessa conversa que essa reflexão nasceu.

Às vezes, ouvimos alguém dizer com muita sinceridade: “Voltei a frequentar a igreja”. A frase, por si só, não é errada. A igreja é importante, o culto é importante, a comunhão é importante. Mas existe um ponto que precisa ser pensado com cuidado: voltar a frequentar a igreja não pode se tornar, aos nossos olhos, mais importante do que ter vida com Deus.

Porque de que adianta frequentar uma igreja se não há relacionamento com Deus? De que adianta estar presente num templo se não há vida com Cristo, se não há transformação, se não há reflexo da luz de Cristo no dia a dia?

Muitas pessoas se preocupam em estar dentro de um templo, mas não se dão conta de que a vida cristã não começa ali. Ela não nasce no culto de domingo. Ela não se limita a quatro paredes. A vida com Deus começa no cotidiano, na rotina comum, no coração que escolhe caminhar com Ele todos os dias.

Antes de nos preocuparmos em frequentar uma instituição religiosa, precisamos nos preocupar em ter vida com Deus.

Muitas pessoas se preocupam em estar dentro de um templo, mas não se dão conta de que a vida cristã não começa ali. Ela não nasce no culto de domingo. Ela não se limita a quatro paredes. A vida com Deus começa no dia a dia, na rotina comum, no coração que escolhe caminhar com Ele todos os dias.

Antes de nos preocuparmos em frequentar uma instituição religiosa, precisamos nos preocupar em ter vida com Deus. Em viver Cristo. Em andar com Ele. Porque o que realmente conta não é quem somos dentro da igreja, mas quem somos fora dela.

Dentro do templo, muitas vezes, é possível sustentar uma aparência. Mas é aqui fora que a fé se revela de verdade. É no trabalho, em casa, na família, nas relações, nas escolhas diárias. Aquilo que somos no culto deveria ser apenas a continuação do que já somos durante a semana.

O culto não cria a nossa vida com Deus. O culto reflete a nossa vida com Deus.

Quando chegamos a um culto, não deveríamos ir para “buscar” Deus como se Ele estivesse distante durante a semana. Chegamos para estender, para expressar, para compartilhar aquilo que já foi vivido na intimidade diária com Ele. Se a nossa relação com Deus só começa quando entramos na igreja, então algo está fora do lugar.

Deus se importa com o culto, sim. Mas Ele se importa, principalmente, com aquilo que somos todos os dias. Com a forma como vivemos, como tratamos as pessoas, como reagimos, como amamos, como perdoamos, como permanecemos fiéis quando ninguém está olhando.

Muitas vezes falamos de intensidade espiritual como se ela precisasse ser algo extraordinário, visível, fora do comum. Mas existe uma intensidade silenciosa, profunda, real. Uma intensidade que se revela em atitudes, em coerência, em fidelidade, em constância. Uma intensidade que talvez ninguém aplauda, mas que reflete Cristo.

Não existe fórmula pronta para a vida com Deus. Não existe regra engessada, nem modelo único. A intimidade é construída no secreto, no relacionamento pessoal, no caminhar diário. Cada um aprende a buscar, a orar, a se relacionar com Deus de forma sincera e verdadeira.

terça-feira, 30 de setembro de 2025


 Reflexão sobre Noé, Obediência e Família


A história de Noé é uma das mais fortes quando falamos sobre obediência e família. Deus chamou um homem: chamou Noé. Não chamou a esposa, não chamou os filhos, não chamou as noras. Mas ao obedecer, Noé envolveu a todos em sua casa.

Deus disse: “Constrói uma arca”. E Noé fez exatamente isso. Ele não discutiu com Deus, não tentou convencer ninguém a acreditar na sua fé, não fez campanha de convencimento. Ele simplesmente obedeceu. E a sua obediência trouxe consequências: a salvação da sua família.

Aqui vemos algo precioso:


A esposa confiou no marido.


Os filhos confiaram no pai.


As noras confiaram em seus esposos.


E todos juntos confiaram em Deus.

Eles trabalharam unidos em um só propósito. Mesmo que para o mundo aquilo parecesse loucura, dentro daquela casa havia confiança. A família se uniu e construiu junto. Isso é tremendo!

A arca, além de ser instrumento de salvação, também é uma imagem do lar. O lugar onde encontramos proteção, segurança, onde aprendemos a confiar e obedecer a Deus.

Mas depois do dilúvio, quando as águas baixaram, começou uma nova história para Noé e sua família. E aí vemos outro ponto que nos faz refletir profundamente.

Noé plantou uma vinha. Dessa vinha produziu vinho, e ele bebeu além da medida, até se embriagar e ficar desnudo, exposto à sua vergonha. Ali, um de seus filhos, Cam, viu a nudez do pai e fez saber aos irmãos. Estes, por honra, cobriram a nudez do pai sem olhar para ela.

E aqui entra uma parte muito séria: Noé, ao saber do que Cam havia feito, não apenas o repreendeu, mas lançou palavras de maldição sobre ele e toda a sua descendência. Palavras ditas no calor da emoção, palavras que atingiram não só aquele filho, mas netos, bisnetos, tataranetos e toda uma geração. Uma atitude precipitada, que trouxe marcas para povos inteiros.

Isso nos leva a refletir sobre o peso das palavras de um pai. A mesma boca que guiou a família à salvação, agora se tornou instrumento de maldição.

E eu pergunto: como nós, pais e mães de hoje, temos falado com nossos filhos?

Quando disciplinamos, o que sai da nossa boca?

Estamos corrigindo com amor ou amaldiçoando com ira?

Que exemplo temos dado, não só com palavras, mas com a nossa vida?


Noé obedeceu e salvou a família. Mas depois, ao não vigiar, trouxe consequências tristes. Ele errou, Cam também errou, mas a verdade é que as palavras de Noé foram além da medida, carregadas de emoção e ira.

Essa história nos ensina que:

A obediência traz salvação, mas a falta de vigilância pode trazer ruína.

A confiança da família é construída na prática diária.

A boca de um pai e de uma mãe têm poder de vida ou de morte sobre os filhos.

Pais, precisamos ter muito cuidado! A maneira como falamos com nossos filhos pode marcar para sempre. Podemos ser fonte de bênção, encorajamento e vida, ou podemos ser lembrados por palavras que feriram e destruíram.

A arca de Noé nos mostra que a obediência pode salvar uma família inteira. Mas a história de Noé e Cam nos alerta que a imprudência pode amaldiçoar gerações. Que nós possamos escolher, em Cristo, sermos pais que constroem, que abençoam, que deixam como herança palavras de vida.

quarta-feira, 23 de julho de 2025


 “O que você tem escolhido valorizar?”


 “O que você tem escolhido valorizar?”


Hoje vivemos um momento especial aqui em casa. Estávamos mostrando para nossa filha algumas músicas antigas que marcaram a nossa juventude tanto seculares quanto cristãs. Lembramos de bandas que ouvíamos com alegria, como Bride e Christafari. Pedi para o meu marido colocar Jesus Best Friend (Jesus, Melhor Amigo), uma música que me trouxe lembranças tão especiais.

Assim que ela começou a tocar, eu não consegui me conter. Comecei a dançar. Naquela época, tínhamos um grupo de teatro na igreja que fazia pantomimas e coreografias, e essa música fazia parte do repertório. Enquanto dançava, vieram à mente os movimentos da coreografia e, com eles, a lembrança viva de um tempo que foi muito bom. E eu disse: “Essa época foi boa! Foi um tempo bom!”

Depois, parei para refletir: Que tempo bom! Houve lutas também, claro. Mas como é bom lembrar das coisas boas.

Foi nesse momento que algo me tocou profundamente:
Não tem como evitar as lembranças ruins. Elas fazem parte da nossa história.
Mas a grande pergunta é:
Você valoriza mais as lembranças ruins ou as boas?
Você dá mais importância à dor ou à alegria?

A dor ensina. Ela deixa marcas. Mas é a alegria que renova, que sustenta, que aquece o coração. Quando escolhemos dar mais importância às coisas ruins, elas ganham força e continuam nos machucando. Mas quando escolhemos valorizar o que foi bom  mesmo em meio às lutas, experimentamos gratidão. E a gratidão traz leveza. Ela cura.

Lembre-se:
Muitas vezes, são justamente as lembranças ruins que alimentamos e cultivamos e isso nos aprisiona.
Ficamos presos em memórias de dor, como se estivéssemos acorrentados a um lugar escuro. Lá só há sofrimento.
Mas existe outro lado.
Um lado com luz, com cor, com alegria.
Um lado onde habitam as boas lembranças que também fazem parte da nossa história e nos ajudaram a crescer.
E nesse lugar há algo precioso: gratidão. Então pegue a chave e abra esse lado cheio de vida e seja grato e escolha ali ficar, porque quando a dor vier você vai sentir, mas aprenderá a não cultiva-la e não se deixará ser acorrentado a ela. Viva, agradeça!

Então, a pergunta final é esta:
Qual dos dois lados você vai escolher?
Qual dos dois lados você vai cultivar?
O lado sombrio do passado, que ainda dói, que paralisa e aprisiona?
Ou o lado vivo, cheio de cor, onde mora a alegria e a gratidão por tudo aquilo que também foi bom?


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📖 "Quero trazer à memória o que me pode dar esperança."

Lamentações 3:21