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terça-feira, 30 de setembro de 2025


 Reflexão sobre Noé, Obediência e Família


A história de Noé é uma das mais fortes quando falamos sobre obediência e família. Deus chamou um homem: chamou Noé. Não chamou a esposa, não chamou os filhos, não chamou as noras. Mas ao obedecer, Noé envolveu a todos em sua casa.

Deus disse: “Constrói uma arca”. E Noé fez exatamente isso. Ele não discutiu com Deus, não tentou convencer ninguém a acreditar na sua fé, não fez campanha de convencimento. Ele simplesmente obedeceu. E a sua obediência trouxe consequências: a salvação da sua família.

Aqui vemos algo precioso:


A esposa confiou no marido.


Os filhos confiaram no pai.


As noras confiaram em seus esposos.


E todos juntos confiaram em Deus.

Eles trabalharam unidos em um só propósito. Mesmo que para o mundo aquilo parecesse loucura, dentro daquela casa havia confiança. A família se uniu e construiu junto. Isso é tremendo!

A arca, além de ser instrumento de salvação, também é uma imagem do lar. O lugar onde encontramos proteção, segurança, onde aprendemos a confiar e obedecer a Deus.

Mas depois do dilúvio, quando as águas baixaram, começou uma nova história para Noé e sua família. E aí vemos outro ponto que nos faz refletir profundamente.

Noé plantou uma vinha. Dessa vinha produziu vinho, e ele bebeu além da medida, até se embriagar e ficar desnudo, exposto à sua vergonha. Ali, um de seus filhos, Cam, viu a nudez do pai e fez saber aos irmãos. Estes, por honra, cobriram a nudez do pai sem olhar para ela.

E aqui entra uma parte muito séria: Noé, ao saber do que Cam havia feito, não apenas o repreendeu, mas lançou palavras de maldição sobre ele e toda a sua descendência. Palavras ditas no calor da emoção, palavras que atingiram não só aquele filho, mas netos, bisnetos, tataranetos e toda uma geração. Uma atitude precipitada, que trouxe marcas para povos inteiros.

Isso nos leva a refletir sobre o peso das palavras de um pai. A mesma boca que guiou a família à salvação, agora se tornou instrumento de maldição.

E eu pergunto: como nós, pais e mães de hoje, temos falado com nossos filhos?

Quando disciplinamos, o que sai da nossa boca?

Estamos corrigindo com amor ou amaldiçoando com ira?

Que exemplo temos dado, não só com palavras, mas com a nossa vida?


Noé obedeceu e salvou a família. Mas depois, ao não vigiar, trouxe consequências tristes. Ele errou, Cam também errou, mas a verdade é que as palavras de Noé foram além da medida, carregadas de emoção e ira.

Essa história nos ensina que:

A obediência traz salvação, mas a falta de vigilância pode trazer ruína.

A confiança da família é construída na prática diária.

A boca de um pai e de uma mãe têm poder de vida ou de morte sobre os filhos.

Pais, precisamos ter muito cuidado! A maneira como falamos com nossos filhos pode marcar para sempre. Podemos ser fonte de bênção, encorajamento e vida, ou podemos ser lembrados por palavras que feriram e destruíram.

A arca de Noé nos mostra que a obediência pode salvar uma família inteira. Mas a história de Noé e Cam nos alerta que a imprudência pode amaldiçoar gerações. Que nós possamos escolher, em Cristo, sermos pais que constroem, que abençoam, que deixam como herança palavras de vida.

sexta-feira, 14 de março de 2025

A aparência dos vasos


A aparência dos vasos

A Palavra de Deus nos diz: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide-se para que não caia” (1 Coríntios 10:12).

Por que essa advertência está na Bíblia? Porque nós, seres humanos, somos frágeis. Podemos até achar que estamos firmes, que somos fortes, que nada pode nos derrubar. Mas a verdade é que somos passíveis de erro, de queda. E, muitas vezes, nem percebemos o perigo quando começamos a nos sentir autossuficientes, mesmo estando no caminho do Senhor.

Alguns de nós podem começar a se achar mais importantes, mais especiais, mais amados por Deus do que aqueles que estão no mundo. Mas será que Deus nos ama mais por estarmos aqui? Será que há algo em nós que nos torna melhores do que os outros? Não. Se estamos de pé, é unicamente pela misericórdia e pela graça de Deus.

A Bíblia nos compara a vasos de barro. Mas será que apenas o vaso de barro é frágil? O vaso de porcelana ou de cerâmica, que aparentemente é mais bonito e valioso, também é frágil. Se cair no chão, quebra igual ao vaso de barro. (2 Coríntios 4:7) 

Isso nos ensina algo muito importante: o que importa não é o que se vê por fora, mas o que há dentro. Deus não vê como o homem vê. O homem enxerga a aparência, mas Deus vê o coração.(1 Samuel 16:7)

E esse mesmo vaso de barro tem dentro dele um tesouro, mas esse tesouro não é para nossa glória, e sim para a glória de Deus. Tanto o vaso de barro quanto o de porcelana ou cerâmica necessitam de Deus. 

(2 Coríntios 4:7) 

E sabe o que é interessante? Existem pessoas que são vasos de barro e ainda assim se acham autossuficientes. Acham que não precisam tanto assim de Deus. Assim como existem vasos de porcelana que aparentam algo que, por dentro, não são. Mas Deus não se engana com aparências. Ele olha para dentro. E se o que há dentro não agrada a Deus, Ele quebra, Ele limpa, Ele transforma.

Por isso essa passagem é tão importante: “Aquele que está em pé, cuide-se para que não caia”. Porque muitas vezes nos firmamos naquilo que achamos e pensamos, e não naquilo que realmente vem de Deus.

É como uma casa construída na areia. Vêm os ventos, as águas, e ela não aguenta. Ela cai. Assim também acontece com quem pensa que está em pé, mas na verdade está confiando apenas na própria força. 

Mas quando entendemos que somos frágeis, que não somos nada sem Deus, e quando colocamos nossa vida sobre a Rocha, que é Cristo, entendemos que a nossa força não vem de nós, mas de Deus. 

(Mateus  7:24-27)

Se estamos de pé, é porque Ele nos sustenta. Não é porque somos bons, não é porque somos fortes, não é porque merecemos. O mérito nunca será nosso. Sempre será dEle. 

E se cairmos? Deus é poderoso para nos levantar novamente! Ele nos ensina: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte"  (1Pedro 5:6-7). Mas que o nosso coração não busque ser exaltado. Que o lugar mais alto onde possamos estar seja aos pés de Jesus.

Porque o que temos, o cargo que ocupamos, onde estamos, isso não significa nada para Deus. Você pode ser um líder de louvor, pode estar no ministério de dança, pode ser professor das crianças, pode estar na intercessão, pode ser pastor, pode ser qualquer coisa. Mas Deus não vê o que você faz. Ele vê o que há dentro de você.

Davi foi escolhido por Deus, ungido como rei pelo profeta Samuel. Mas ele não foi escolhido por sua aparência. Deus escolheu Davi porque viu o coração dele. .(1 Samuel 16:7)

Então, não nos apeguemos à nossa própria força. Porque não importa se somos vasos de barro, de porcelana ou de cerâmica. Se não estivermos em Deus, podemos ser quebrados do mesmo jeito.

Que possamos reconhecer isso. Que possamos nos humilhar diante dEle, depender totalmente dEle. Porque a glória é dEle, sempre foi e sempre será.






o filho mais velho


 Graça e paz

Lucas 15:11-32

Meditando a respeito da parábola do filho pródigo, algo me chamou atenção. Muitas vezes, quando se fala sobre essa parábola, o foco está no filho mais novo – aquele que saiu de casa. Mas, e o irmão mais velho? Aquele que permaneceu no lar com o pai? Parece bonito, não é? Só que não.

O filho mais velho, por mais que tenha ficado, não tinha um relacionamento sincero e genuíno com o pai. O vínculo dele com o pai estava baseado na obrigação, na expectativa de uma recompensa. E isso ficou claro em sua atitude quando o irmão mais novo voltou para casa.

Se o filho mais velho conhecesse o coração do pai, ele jamais cobraria algo. Quem tem intimidade entende o coração de quem ama – e não vive de exigências.

E aqui vem algo importante: o lar que o filho pródigo deixou não era apenas um lugar físico. Esse lar representava descanso, refúgio, segurança, relacionamento. Ao sair, ele estava, na prática, dizendo ao pai: "Eu não quero mais me relacionar com você. O senhor não é mais o meu refúgio, meu lugar seguro." E, assim, ele foi embora.

Mas… e o filho mais velho? Aquele que ficou? Mesmo permanecendo na casa, ele não compreendia que o próprio pai era o verdadeiro lar. Ele não entendeu que o pai era seu lugar de descanso, de refúgio, de segurança – e mais do que isso: o pai era o lugar de relacionamento. Porque quando Deus é o nosso lar, encontramos n’Ele tudo o que precisamos. Estar em Deus significa estar em relacionamento com Ele. E o filho mais velho não viveu essa verdade. Ele estava perto fisicamente, mas longe em seu coração.

E quantos, hoje, vivem assim? Fazem de tudo para Deus, mas não fazem por amor. Estão na igreja, envolvidos em atividades, mas sem um relacionamento verdadeiro com o Pai.

Isso me lembra de Jó. Todas as madrugadas, ele oferecia sacrifícios pelos filhos, preocupado que, talvez, eles tivessem pecado. Jó fazia o que era certo, mas fazia com medo – porque, naquele momento, ele ainda não conhecia a Deus em profundidade. Quem realmente conhece o coração do Pai não vive tentando se garantir por medo. Vive em confiança, em descanso.

E eu me pergunto: será que não estamos agindo como o filho mais velho? Fazendo tudo certo, mas sem conhecer o coração do Pai?

A igreja de Éfeso, em Apocalipse 2:4, foi alertada sobre isso. Tudo parecia bonito e correto – obras, serviço, perseverança – mas algo essencial se perdeu: o primeiro amor. E quando o amor se esfria, tudo vira obrigação, tudo se torna mecânico.

Precisamos voltar. Voltar ao verdadeiro lugar de relacionamento.

Porque Deus não quer apenas o que fazemos para Ele – Ele nos quer. Ele deseja nosso coração, nossa presença. Ele é o nosso lar. Nosso refúgio. Nosso lugar seguro.

E quando entendemos isso, tudo muda.

quinta-feira, 6 de março de 2025

Deixem seus filhos orarem


A Simplicidade da Oração das Crianças

Hoje, ao sair com minhas filhas, vivi algo que me fez refletir ainda mais sobre a forma como ensinamos nossos filhos a orar. Minha caçulinha fez uma oração, e sabe o que aconteceu? Ela simplesmente repetiu aquilo que já ouviu a mãe dizer. Com suas próprias palavras, do jeitinho dela, ela orou com a fé e a certeza de que Deus a ouviria.
Isso me fez pensar sobre como, muitas vezes, achamos que precisamos corrigir ou ensinar demais, quando, na verdade, nossos filhos já estão aprendendo só de nos observarem. Quando uma criança ora e apenas pede algo a Deus, sem mencionar palavras específicas de gratidão, louvor ou adoração, isso não significa que ela não sente essas coisas. Não significa que Deus não está recebendo sua oração com amor.
A fé delas é pura, simples e sincera. E essa simplicidade, essa confiança absoluta, já é um ato de louvor e adoração por si só. Elas oram acreditando que Deus vai responder, sem questionamentos, sem dúvidas. Como pais, precisamos entender que ensinar não é invalidar, mas incentivar. Precisamos ser um reflexo de fé, para que eles aprendam naturalmente, no tempo certo, o que é uma vida de comunhão com Deus.

Que possamos aprender com a fé das crianças, sem torná-la mecânica ou cheia de regras, mas permitindo que elas cresçam sabendo que Deus as ouve, simplesmente porque Ele as ama.

Quando pedimos para nossos filhos orarem, precisamos lembrar que esse é um momento deles com Deus, e não nosso. Muitas vezes, interrompemos suas orações para dizer que não é assim que se faz, que eles só pedem e não adoram, não louvam, não agradecem. Mas será que Deus vê dessa forma?
Se uma criança ora pedindo algo, isso já demonstra que ela tem fé. Ela acredita que Deus a ouve e que Ele pode responder. Isso, por si só, já é um ato de louvor e adoração. Mas nós, adultos, acostumados a querer ensinar tudo, esquecemos de algo essencial: Deus ama ouvir a voz dos nossos filhos, exatamente como ela é.

Quando corrigimos a forma como nossos filhos oram, podemos estar, sem perceber, invalidando a fé deles. Podemos estar fazendo com que pensem que, se não orarem “do jeito certo”, Deus não os ouvirá. E isso não é verdade. Deus se alegra com a sinceridade do coração, e o coração das crianças é puro diante d’Ele.

Então, da próxima vez que seu filho orar, não interrompa, não corrija, apenas diga Amém junto com ele. Mas seja um exemplo. Ore ao lado dele. Deixe-o ouvir você falar com Deus, deixe-o aprender naturalmente. A oração não precisa ser ensinada como uma fórmula, mas vivida como um relacionamento.

Deus se alegra em ouvir a voz dos pequeninos, e nós, como pais, devemos aprender a nos alegrar também.


Com amor!