BEM - VINDO

Bem - vindo ao Seja como orvalho em terra seca, que você meu amigo possa ser edificado com cada mensagem posta aqui!
Deus te abençoe!

quarta-feira, 9 de setembro de 2026



Hoje, enquanto meditava e conversava com Deus, algo veio ao meu coração. E eu comecei a pensar em Jó.

Jó era um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Se olharmos para os primeiros versículos do livro, parece não haver absolutamente nada de errado. Sua família era unida, seus filhos se reuniam, faziam banquetes e compartilhavam momentos juntos. E Jó, preocupado com eles, levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de seus filhos, pois pensava: “Talvez os meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus em seu coração”.

Observe uma palavra: talvez.

Jó não disse que seus filhos haviam pecado. Ele não sabia. Ele não via o que acontecia no coração deles. Mas, diante da possibilidade, fazia aquilo continuamente.

Não estou dizendo que Jó estava errado, nem que sua intenção era ruim. Pelo contrário. A atitude dele demonstra cuidado e responsabilidade. Mas comecei a pensar sobre padrões. Sobre aquilo que fazemos repetidamente porque aprendemos que é assim que deve ser feito. Sobre aquilo que, muitas vezes, continuamos fazendo não necessariamente por convicção, mas por medo.

Lembrei-me de uma situação que vivi no último domingo. Fui pela primeira vez a uma igreja do meu bairro com minha filha. Ela teve aquela sensação de já ter estado ali, embora nunca tivesse ido. Expliquei a ela que talvez fosse por causa dos padrões que encontramos em muitas igrejas: paredes escuras, telão, luzes, determinados formatos de culto. Quando vemos aquilo repetidamente, nosso cérebro reconhece o padrão e temos a sensação de que já estivemos naquele lugar.

E comecei a pensar: será que isso também acontece na nossa vida espiritual?

Não estou dizendo que regras sejam ruins. Existem regras importantes, princípios importantes, ensinamentos importantes. O problema começa quando aquilo que deveria nos conduzir a Deus se transforma em um padrão que nos aprisiona.

Lembrei-me do filme Dormindo com o Inimigo. A personagem vivia com um homem extremamente perfeccionista e precisava manter tudo exatamente no padrão que ele determinava, porque tinha medo de ser maltratada. Depois de fugir, já em uma nova casa e longe dele, ela continuava organizando tudo da mesma maneira. O homem não estava mais ali, mas o padrão permanecia dentro dela.

Até que percebeu que não precisava mais viver daquela forma.

Quantas vezes fazemos a mesma coisa?

Podemos até sair de determinados ambientes, mas continuamos carregando dentro de nós os padrões que aprendemos. Padrões de igreja, de doutrina, de comportamento, de oração e até de como devemos nos aproximar de Deus.

Às vezes, criamos burocracias diante de Deus que Ele mesmo nunca criou.

E isso me fez pensar novamente em Jó.

Ele oferecia sacrifícios continuamente. Com certeza, ele havia ouvido e aprendido sobre aquilo com alguém, porque ninguém simplesmente inventa do nada uma prática que fazia parte de toda uma realidade religiosa presente nas Escrituras. Mas o ponto não é descobrir exatamente quem ensinou Jó. O ponto é perceber que ele recebeu um padrão, incorporou aquele padrão e o praticava continuamente.

E então chegamos ao final do livro.

Depois de tudo o que aconteceu, Jó diz:

“Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem.”

Isso é forte.

Jó não termina dizendo simplesmente: “Agora entendi por que sofri”.

Ele diz: “Agora eu te conheço.”

E comecei a pensar: quantas vezes nós conhecemos a Deus apenas por aquilo que ouvimos? Conhecemos aquilo que nos ensinaram sobre Ele, aquilo que aprendemos na igreja, aquilo que nossos pais, avós, pastores e líderes nos ensinaram. E tudo isso pode ter valor. Mas será que conhecemos o próprio Deus?

Tenho pensado nisso até mesmo na maneira como oro.

Durante anos, podemos aprender que precisamos orar de determinada maneira, começar com determinadas palavras, fazer determinadas orações todos os dias. E, sem perceber, algo que começou com sinceridade pode se transformar em um padrão movido pelo medo.

“Se eu não orar exatamente assim, será que Deus vai guardar meus filhos?”

“E se alguma coisa acontecer porque eu não fiz aquela oração?”

“E se a culpa for minha?”

Isso é muito sério.

Porque então já não estou apenas orando por amor. Estou tentando controlar, por meio da minha prática religiosa, aquilo que somente Deus pode controlar.

No domingo passado, depois de ouvir algumas coisas na igreja que me deixaram desconfortável, decidi ir embora antes da pregação. Não estou aqui para julgar o pastor, os homens, a igreja ou dizer que Deus não age naquele movimento. Deus conhece o coração de cada pessoa, e eu não estou ali para julgar aquilo que não conheço.

Mas algumas coisas me fizeram questionar.

Quando ouvi sobre o valor para participar de uma experiência na montanha, pensei: por que precisamos pagar para ter um encontro com Deus? Não estou dizendo que não existam custos com alimentação, equipamentos ou organização. A questão que me veio foi outra: será que precisamos de uma experiência específica, em um lugar específico, pagando determinado valor, para nos encontrarmos com Deus?

Não podemos buscá-lo em nossa casa?

No nosso quarto?

Em uma montanha perto de nós?

Na Palavra?

Na oração?

Não podemos começar hoje a buscar ser melhores pais, melhores mães, melhores esposos, melhores esposas, melhores filhos, melhores pessoas?

Por que esperar um seminário ou uma experiência para começar aquilo que já deveríamos desejar viver?

Eu não sou uma mãe perfeita, uma esposa perfeita, uma mulher perfeita ou uma dona de casa perfeita. Mas posso acordar todos os dias e dizer: “Senhor, ajuda-me a ser alguém melhor”.

Não preciso esperar uma experiência para começar.

E quando saí da igreja naquele domingo, aconteceu algo que mexeu profundamente comigo.

Eu pedi perdão a Deus por ter ido embora antes da pregação.

E minha filha, de apenas nove anos, olhou para mim e disse, em sua simplicidade: “Ah, não, mamãe. Para com isso. Você não fez nada de errado”.

Aquilo me fez pensar.

Por que eu senti imediatamente que precisava pedir perdão?

Por que sair de uma igreja antes da pregação automaticamente despertou em mim a sensação de que eu havia pecado?

Talvez minha filha tenha enxergado algo que eu ainda estou aprendendo a enxergar.

Talvez eu esteja carregando padrões que já não preciso carregar.

Isso não significa abandonar a igreja. Não significa abandonar líderes, pastores, doutrina, Bíblia, temor ou reverência. Não significa fazer tudo de qualquer maneira.

Significa aprender a buscar a Deus por mim mesma.

Significa conhecer as Escrituras, estudá-las, pensar sobre elas e permitir que o Espírito Santo renove a minha mente.

Porque Deus não quer apenas que eu repita aquilo que ouvi sobre Ele. Ele quer que eu o conheça.

Jesus também confrontou aqueles que conheciam a lei, mas haviam perdido o propósito dela. Eles colocavam cargas sobre as pessoas que nem eles mesmos conseguiam carregar. Conheciam as regras, mas não compreendiam o coração de Deus.

Jesus veio mostrar o verdadeiro propósito: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de toda a força e de todo o entendimento, e amar o próximo como a nós mesmos.

Talvez Deus esteja quebrando alguns paradigmas dentro de nós.

Talvez estejamos tão acostumados com determinados padrões que, quando a luz começa a aparecer, não conseguimos enxergá-la.

Mas a Palavra nos chama à renovação da mente.

Não precisamos perder o temor do Senhor. Não precisamos perder a reverência. Não precisamos abandonar aquilo que é verdadeiro.

Precisamos apenas ter coragem para perguntar:

Por que eu faço isso?

Eu faço porque conheço a Deus ou porque foi assim que me ensinaram?

Eu faço por amor ou por medo?

Estou buscando a Deus ou apenas repetindo um padrão religioso?

E talvez essa seja uma das maiores libertações: descobrir que podemos nos aproximar de Deus sem precisar viver aprisionados pelo medo.

Jó disse:

“Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem.”

Que essa também seja a nossa oração.

Que não precisemos esperar a perda para conhecer a Deus.

Que não precisemos esperar a dor.

Que não precisemos esperar o sofrimento.

Que possamos conhecê-lo hoje.

No dia da alegria.

Na mesa cheia.

Na família reunida.

Na celebração.

No silêncio do quarto.

Na oração espontânea.

Na vida cotidiana.

Porque Deus não é encontrado apenas na dor.

Ele também está presente na alegria.

E talvez a luz já esteja começando a sair.

Não percebeis?

quarta-feira, 8 de abril de 2026


 A nossa Casa e o Selo Cura


Muitas vezes, a nossa vida é como uma casa em obras, mas uma obra que parece ter parado no meio do caminho. Olhamos para as paredes e o que vemos são rachaduras, trincas profundas que expõem a nossa fragilidade. A verdade é que nós somos essa casa. Por dentro, nossa alma muitas vezes está assim: marcada por fissuras, por dores que o tempo não apagou e por situações que nos deixam com essa sensação de algo inacabado.

A casa deveria ser um lugar de acolhimento, de intimidade e de família, mas como ter comunhão quando as paredes do coração estão rachadas?

É aí que entra o que é mais fantástico e poderoso: a ação do  sangue de Jesus. 

Imagine a cena de um pano bem molhado, encharcado com esse sangue, sendo passado com todo cuidado e reverência exatamente sobre as trincas. O sangue não apenas cobre a parede; ele escorre para dentro das rachaduras, preenchendo cada espaço vazio, cada fenda aberta. Ele escorre pelas mãos, toca a nossa humanidade e traz o que nenhum cimento ou reforma humana consegue trazer: a cura de dentro para fora.

O sangue de Jesus nas nossas rachaduras é o que traz a restauração para as áreas da nossa vida que estão "em carne viva". É o sacrifício d'Ele selando o que estava quebrado em nós.

Pode ser que hoje você olhe para a sua vida e sinta que a obra está incompleta, que o que você esperava ainda não aconteceu. Mas a esperança é real porque Aquele que começou a boa obra em nós é poderoso e fiel para completá-la. Ele não desistiu da construção. Ele está cuidando de cada detalhe, passando o sangue d'Ele sobre as nossas dores e transformando a nossa casa inacabada em um lugar de cura e de plena restauração.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026



IMATURIDADE ESPIRITUAL E MATURIDADE ESPIRITUAL


Toda mãe entende o processo do crescimento. Primeiro, o leite. Depois, a papinha dada na boca. Mas esse ciclo não dura para sempre. Chega o tempo em que a criança precisa aprender a comer sozinha. A mãe continua fazendo o alimento, continua cuidando, mas para de colocar a comida na boca.
Isso não é abandono. É amadurecimento.
Na vida espiritual, muitos permanecem presos às mesmas fases. Vivem dependentes do alimento que vem do pastor, do líder, da célula, do culto de domingo. Já chegam preparados para receber a comida pronta, sabendo que haverá louvor, palavra, tudo organizado.
Mas a pergunta que precisa ser feita é:
como está a vida espiritual fora da igreja?
O que acontece na segunda-feira, quando não há culto?
Na terça, na quarta, quando ninguém está colocando comida na boca?
Muitos substituem a busca pessoal por vídeos, pregações online, mensagens prontas. E embora isso tenha seu valor, ainda não é maturidade plena. Ainda é alguém mastigando e entregando pronto.
Maturidade começa quando nasce o desejo de caminhar alguns passos sozinho.
Pegar a Bíblia.
Abrir.
Ler.
Orar.
Pedir a Deus discernimento, clareza, entendimento.
Não se trata de rejeitar mestres, pastores ou líderes. Deus usa pessoas para ensinar. Mas existe algo que ninguém pode fazer no lugar do outro: buscar a Deus pessoalmente.
Há pessoas com anos de igreja, anos de ministério, mas que não sabem viver a fé fora do templo. Sabem o que fazer dentro da agenda da igreja, mas não sabem sustentar uma vida espiritual no secreto, no cotidiano, no silêncio da casa.
O mesmo empenho para estar no culto, na célula, no grupo, no ministério  precisa existir para estar diante de Deus durante a semana inteira.
Porque Deus não cria filhos para uma dependência espiritual infantil.
Ele continua sendo Pai.
Ele continua provendo o alimento.
Mas espera filhos que aprendam a se servir.
A mesa está posta.
A Palavra está aberta.
Agora, a decisão é pessoal:
continuar esperando alguém dar comida na boca
ou crescer e aprender a comer sozinho diante de Deus.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026



A Oferta de Abel e Caim

 Quando medito sobre a história de Caim e Abel, algo sempre me chama a atenção: de onde surgiu, dentro deles, essa vontade de fazer algo para Deus? Essa iniciativa não nasceu do nada. Ela nasceu de algo que foi transmitido. Caim e Abel não acordaram um dia, olharam para o céu e concluíram sozinhos que existia um Criador a quem deveriam oferecer algo. Eles tinham conhecimento de Deus porque alguém falou de Deus para eles. E esse alguém foram seus pais. Adão e Eva, mesmo depois da queda, não se esqueceram de Deus. Eles sabiam quem Ele era, sabiam o que haviam vivido no Jardim do Éden, conheciam a comunhão que tinham com Ele, o pecado que cometeram e as consequências disso. E tudo isso foi passado adiante. Os pais transmitiram aos filhos o temor do Senhor, a obediência, a importância do relacionamento, da intimidade e da comunhão com Deus. O que muda, então, não é o que foi ensinado, mas como cada filho absorveu esse ensinamento. Abel absorveu profundamente tudo aquilo que recebeu. Aquilo desceu ao coração, criou raízes e gerou algo dentro dele: desejo de relacionamento com Deus. E desse relacionamento nasceu uma consequência natural: o desejo de dar algo para Deus. A oferta não foi o começo; ela foi o resultado. O relacionamento veio primeiro, e a oferta foi consequência desse relacionamento. Caim também absorveu, mas de forma superficial. Seu relacionamento com Deus era raso, e, por isso, sua entrega também foi rasa. A consequência foi diferente, não porque os pais ensinaram de forma diferente, mas porque a absorção foi diferente. Relacionamento superficial gera atitudes superficiais. Aqui aprendemos algo muito sério e muito lindo ao mesmo tempo: a consequência da absorção espiritual aparece nas atitudes. Aquilo que entra profundamente no coração gera frutos profundos. Aquilo que entra superficialmente gera frutos superficiais. Quando a Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar”, ela está falando de apresentar Deus, de viver Deus diante dos filhos, de transmitir quem Ele é. Os pais lançam a semente, mas cada filho decide o quanto essa semente vai penetrar no coração. O relacionamento com Deus gera consequências. E uma delas é o desejo de agradá-Lo, de se relacionar com Ele, de oferecer algo que nasce de dentro, não por obrigação, mas como resposta de um coração que aprendeu a amar a Deus.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026


A genealogia imperfeita de um Salvador Perfeito -

Quando li Mateus, capítulo 1, a genealogia de Jesus, percebi algo muito marcante: ela não é uma lista limpa. Não é uma sequência de nomes idealizados, de pessoas exemplares, de histórias bonitas e bem resolvidas. Pelo contrário. Ali estão homens falhos, reis perversos, histórias manchadas e mulheres marcadas por dor, injustiça e, muitas vezes, pelo pecado alheio.

Mateus poderia simplesmente citar nomes. Poderia selecionar apenas reis honrosos, personagens respeitados, trajetórias que nos deixassem confortáveis. Mas ele não faz isso. A genealogia de Jesus é real, crua, honesta. E isso já diz muito sobre quem Jesus é.

Jesus não nasce de uma linhagem ideal, mas de uma linhagem real.

Tirando o próprio Cristo o único santo e perfeito todos os que aparecem ali, de Abraão até a última geração, falharam. Todos pecaram. Alguns cometeram atos terríveis. Mesmo assim, foi dessa descendência que Jesus veio. Ele não se originou de uma história pura, mas entrou na história quebrada da humanidade.

Logo no início, lemos: “Abraão gerou Isaque; Isaque gerou Jacó; e Jacó gerou Judá e seus irmãos” (Mateus 1:2).

Judá está ali. O mesmo Judá que participou da venda de José, que consentiu em jogá-lo na cisterna e vendê-lo como escravo (Gênesis 37:26–27). Um homem marcado pela culpa e por decisões erradas. Ainda assim, esse mesmo Judá aparece novamente de forma surpreendente na história.

Em Gênesis 44, diante de José agora governador do Egito, quando Benjamim corria o risco de ficar preso, Judá se levanta. Ele se oferece para ficar no lugar do irmão: “Agora, pois, fique teu servo em lugar do moço por escravo de meu senhor, e que o moço suba com seus irmãos” (Gênesis 44:33).

Judá se coloca no lugar de outro para que o outro seja livre. Ele aceita a prisão para que Benjamim volte para casa e para que o pai não morra de tristeza. Quando leio esse texto, vejo claramente um reflexo de Cristo. Um se entrega para que o outro viva. Um fica no lugar do outro para que haja liberdade. As Escrituras, mais uma vez, apontando para Jesus desde o princípio.

A genealogia também traz nomes como Manassés, um rei perverso, idólatra, violento, que fez o que era mau diante do Senhor (2 Reis 21). Mas também um homem que se humilhou, se arrependeu e foi restaurado (2 Crônicas 33:12–13). O nome dele permanecer ali mostra que Deus não apaga o passado, mas transforma o futuro quando há arrependimento.

E então Mateus faz algo ainda mais impactante: ele cita mulheres. Em uma genealogia judaica, isso já é significativo. Mas não são mulheres citadas ao acaso.

Raabe aparece ali (Mateus 1:5). Raabe, a prostituta de Jericó, marginalizada, desprezada pela sociedade, mas que creu no Deus de Israel e foi poupada (Josué 2; Josué 6:25). Ela não foi esquecida. Ela foi incluída.

Nesse mesmo versículo, Mateus também cita Rute. “Boaz gerou Obede, de Rute” (Mateus 1:5).

Rute era moabita. Não era israelita, não era hebreia, não fazia parte do povo da aliança por nascimento. Vinha de um povo pagão, estrangeiro, historicamente inimigo de Israel. Ainda assim, ela escolhe permanecer com Noemi e declara: “O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus” (Rute 1:16).

Rute entra na linhagem de Jesus não por sangue, mas por fé. Sua presença na genealogia mostra que Deus não está limitado à etnia, à origem ou à história de um povo. O Messias não nasce apenas de judeus de nascimento, mas de alguém que foi acolhida, enxertada e amada. Deus também não se esqueceu de Rute. Ele a trouxe para dentro da história da redenção.

E Mateus escreve: “Davi gerou Salomão da mulher que fora de Urias” (Mateus 1:6).

Ele não diz o nome dela. Ele diz quem ela foi: a mulher de Urias. Bate-Seba não é apresentada como a mulher de Davi, mas como a mulher que foi arrancada de Urias. Urias não morreu de velhice. Foi morto por ordem de Davi (2 Samuel 11).

Esse detalhe não é pequeno. Deus não romantiza o pecado. Deus não encobre a injustiça. Deus honra a verdade da história e lembra que aquela mulher tinha um marido, tinha uma vida, tinha uma história interrompida.

Mesmo assim, Bate-Seba está ali. Deus não se esqueceu dela. Mesmo sem citar seu nome, Ele a inclui na linhagem do Messias. Isso mostra que Deus vê quem foi silenciado, quem foi ferido, quem foi injustiçado.

A genealogia de Jesus nos ensina algo profundamente consolador: Deus não espera histórias perfeitas para agir. Ele entra em histórias reais. Histórias quebradas. Histórias marcadas por erros, dores e perdas.

Jesus veio justamente porque a humanidade não estava pronta. Se a linhagem fosse perfeita, Ele não precisaria vir. Mas Ele veio, assumiu essa descendência, entrou nessa história e a redimiu.

Essa genealogia não prepara apenas o nascimento de Jesus. Ela revela o tipo de Salvador que Ele é: um Salvador que se identifica com a nossa realidade, que se coloca no lugar do outro, que vê os esquecidos e que transforma histórias manchadas em caminho de redenção.

Deus nunca esteve indiferente. Seus olhos sempre estiveram sobre cada nome, cada dor e cada história inclusive a nossa.