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segunda-feira, 28 de setembro de 2026


 “A tua fé te salvou; vai em paz.”

Lucas 7:50


 Aos pés de Jesus


Eu acredito que aquela mulher, conhecida na cidade como “pecadora”, já tinha ouvido falar de Jesus. Afinal, ela soube que ele estava na casa do fariseu e foi até lá levando consigo um vaso de alabastro com perfume.

Ela viu uma oportunidade de se aproximar de Jesus e não a desperdiçou.

O que me chama a atenção é a forma como ela é apresentada pelo fariseu: “mulher pecadora”. Ele a enxergava pelo rótulo. Mas o texto não diz qual era o pecado daquela mulher.

E isso me faz imaginar quanta culpa, condenação e rejeição ela pode ter carregado. O que as pessoas diziam? Como a sociedade a enxergava? Quanto tempo ela viveu sendo definida pelo que havia feito?

Talvez ela estivesse cansada de tudo isso.

Mas, naquele dia, ela encontrou Jesus.


    Essa história me faz pensar em nós, quando buscamos a aprovação das pessoas. Quantas vezes também buscamos a aprovação dos outros? Queremos saber o que estão pensando, como estão nos enxergando, se ainda nos respeitam, se ainda nos levam a sério.

E quando erramos, mesmo depois de reconhecer o erro, pedir perdão a Deus e, quando necessário, pedir perdão a alguém, continuamos nos condenando.

“O que vão pensar de mim agora?”

Às vezes, a condenação que mais nos machuca não vem de fora. Vem de dentro de nós mesmos.

Buscamos tanto saber como as pessoas nos veem que esquecemos de perguntar:

“Senhor, como Tu me vês?”

Render o nosso ser

Quando pensamos em nos render a Deus, muitas vezes pensamos em cantar, ajoelhar, levantar as mãos, chorar ou orar.

Mas rendição também é confiar, entregar e descansar.

É colocar diante de Cristo aquilo que ocupa o nosso coração e não deveria ocupar o lugar que pertence somente a Ele.

Foi isso que vejo naquela mulher.

Ela não estava preocupada com a aprovação do fariseu. Ela se derramou aos pés de Jesus.

O fariseu tinha Jesus dentro de sua própria casa, mas julgou.

A mulher entrou carregando um rótulo, mas se rendeu.

Ele tinha religião.

Ela tinha necessidade de Cristo.

E isso me faz pensar: podemos orar, cantar, jejuar, ler a Bíblia, pregar e servir, mas ainda assim guardar dentro de nós coisas que precisamos entregar completamente ao Senhor.

.

E hoje eu reconheço: eu não consigo vencer sozinha algumas coisas que existem dentro de mim.

Nós não conseguimos controlar o que as pessoas pensam, dizem sobre nós, mas podemos entregar tudo a Cristo.

Aquela mulher chegou aos pés de Jesus carregando sua história, suas lágrimas e, talvez, muitas acusações. E Jesus não a rejeitou.

Ele disse:

“A tua fé te salvou; vai em paz.”

Eu acredito que ela precisava dessa paz.

Não apenas da salvação, mas da paz de um coração que já não precisa viver prisioneiro da culpa, da condenação e do olhar dos outros.

Talvez nós também precisamos aprender isso. 

Parar de tentar controlar como as pessoas nos enxergam.

Parar de buscar a aprovação de todos.

Parar de carregar aquilo que já entregamos a  Deus.

E simplesmente voltar aos pés de Cristo.

E continuar caminhando com Ele, dia após dia, de glória em glória, sendo transformados por Ele.


Aos pés de Cristo e ouvir  “A tua fé te salvou; vai em paz.”

quarta-feira, 9 de setembro de 2026



Hoje, enquanto meditava e conversava com Deus, algo veio ao meu coração. E eu comecei a pensar em Jó.

Jó era um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Se olharmos para os primeiros versículos do livro, parece não haver absolutamente nada de errado. Sua família era unida, seus filhos se reuniam, faziam banquetes e compartilhavam momentos juntos. E Jó, preocupado com eles, levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de seus filhos, pois pensava: “Talvez os meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus em seu coração”.

Observe uma palavra: talvez.

Jó não disse que seus filhos haviam pecado. Ele não sabia. Ele não via o que acontecia no coração deles. Mas, diante da possibilidade, fazia aquilo continuamente.

Não estou dizendo que Jó estava errado, nem que sua intenção era ruim. Pelo contrário. A atitude dele demonstra cuidado e responsabilidade. Mas comecei a pensar sobre padrões. Sobre aquilo que fazemos repetidamente porque aprendemos que é assim que deve ser feito. Sobre aquilo que, muitas vezes, continuamos fazendo não necessariamente por convicção, mas por medo.

Lembrei-me de uma situação que vivi no último domingo. Fui pela primeira vez a uma igreja do meu bairro com minha filha. Ela teve aquela sensação de já ter estado ali, embora nunca tivesse ido. Expliquei a ela que talvez fosse por causa dos padrões que encontramos em muitas igrejas: paredes escuras, telão, luzes, determinados formatos de culto. Quando vemos aquilo repetidamente, nosso cérebro reconhece o padrão e temos a sensação de que já estivemos naquele lugar.

E comecei a pensar: será que isso também acontece na nossa vida espiritual?

Não estou dizendo que regras sejam ruins. Existem regras importantes, princípios importantes, ensinamentos importantes. O problema começa quando aquilo que deveria nos conduzir a Deus se transforma em um padrão que nos aprisiona.

Lembrei-me do filme Dormindo com o Inimigo. A personagem vivia com um homem extremamente perfeccionista e precisava manter tudo exatamente no padrão que ele determinava, porque tinha medo de ser maltratada. Depois de fugir, já em uma nova casa e longe dele, ela continuava organizando tudo da mesma maneira. O homem não estava mais ali, mas o padrão permanecia dentro dela.

Até que percebeu que não precisava mais viver daquela forma.

Quantas vezes fazemos a mesma coisa?

Podemos até sair de determinados ambientes, mas continuamos carregando dentro de nós os padrões que aprendemos. Padrões de igreja, de doutrina, de comportamento, de oração e até de como devemos nos aproximar de Deus.

Às vezes, criamos burocracias diante de Deus que Ele mesmo nunca criou.

E isso me fez pensar novamente em Jó.

Ele oferecia sacrifícios continuamente. Com certeza, ele havia ouvido e aprendido sobre aquilo com alguém, porque ninguém simplesmente inventa do nada uma prática que fazia parte de toda uma realidade religiosa presente nas Escrituras. Mas o ponto não é descobrir exatamente quem ensinou Jó. O ponto é perceber que ele recebeu um padrão, incorporou aquele padrão e o praticava continuamente.

E então chegamos ao final do livro.

Depois de tudo o que aconteceu, Jó diz:

“Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem.”

Isso é forte.

Jó não termina dizendo simplesmente: “Agora entendi por que sofri”.

Ele diz: “Agora eu te conheço.”

E comecei a pensar: quantas vezes nós conhecemos a Deus apenas por aquilo que ouvimos? Conhecemos aquilo que nos ensinaram sobre Ele, aquilo que aprendemos na igreja, aquilo que nossos pais, avós, pastores e líderes nos ensinaram. E tudo isso pode ter valor. Mas será que conhecemos o próprio Deus?

Tenho pensado nisso até mesmo na maneira como oro.

Durante anos, podemos aprender que precisamos orar de determinada maneira, começar com determinadas palavras, fazer determinadas orações todos os dias. E, sem perceber, algo que começou com sinceridade pode se transformar em um padrão movido pelo medo.

“Se eu não orar exatamente assim, será que Deus vai guardar meus filhos?”

“E se alguma coisa acontecer porque eu não fiz aquela oração?”

“E se a culpa for minha?”

Isso é muito sério.

Porque então já não estou apenas orando por amor. Estou tentando controlar, por meio da minha prática religiosa, aquilo que somente Deus pode controlar.

No domingo passado, depois de ouvir algumas coisas na igreja que me deixaram desconfortável, decidi ir embora antes da pregação. Não estou aqui para julgar o pastor, os homens, a igreja ou dizer que Deus não age naquele movimento. Deus conhece o coração de cada pessoa, e eu não estou ali para julgar aquilo que não conheço.

Mas algumas coisas me fizeram questionar.

Quando ouvi sobre o valor para participar de uma experiência na montanha, pensei: por que precisamos pagar para ter um encontro com Deus? Não estou dizendo que não existam custos com alimentação, equipamentos ou organização. A questão que me veio foi outra: será que precisamos de uma experiência específica, em um lugar específico, pagando determinado valor, para nos encontrarmos com Deus?

Não podemos buscá-lo em nossa casa?

No nosso quarto?

Em uma montanha perto de nós?

Na Palavra?

Na oração?

Não podemos começar hoje a buscar ser melhores pais, melhores mães, melhores esposos, melhores esposas, melhores filhos, melhores pessoas?

Por que esperar um seminário ou uma experiência para começar aquilo que já deveríamos desejar viver?

Eu não sou uma mãe perfeita, uma esposa perfeita, uma mulher perfeita ou uma dona de casa perfeita. Mas posso acordar todos os dias e dizer: “Senhor, ajuda-me a ser alguém melhor”.

Não preciso esperar uma experiência para começar.

E quando saí da igreja naquele domingo, aconteceu algo que mexeu profundamente comigo.

Eu pedi perdão a Deus por ter ido embora antes da pregação.

E minha filha, de apenas nove anos, olhou para mim e disse, em sua simplicidade: “Ah, não, mamãe. Para com isso. Você não fez nada de errado”.

Aquilo me fez pensar.

Por que eu senti imediatamente que precisava pedir perdão?

Por que sair de uma igreja antes da pregação automaticamente despertou em mim a sensação de que eu havia pecado?

Talvez minha filha tenha enxergado algo que eu ainda estou aprendendo a enxergar.

Talvez eu esteja carregando padrões que já não preciso carregar.

Isso não significa abandonar a igreja. Não significa abandonar líderes, pastores, doutrina, Bíblia, temor ou reverência. Não significa fazer tudo de qualquer maneira.

Significa aprender a buscar a Deus por mim mesma.

Significa conhecer as Escrituras, estudá-las, pensar sobre elas e permitir que o Espírito Santo renove a minha mente.

Porque Deus não quer apenas que eu repita aquilo que ouvi sobre Ele. Ele quer que eu o conheça.

Jesus também confrontou aqueles que conheciam a lei, mas haviam perdido o propósito dela. Eles colocavam cargas sobre as pessoas que nem eles mesmos conseguiam carregar. Conheciam as regras, mas não compreendiam o coração de Deus.

Jesus veio mostrar o verdadeiro propósito: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de toda a força e de todo o entendimento, e amar o próximo como a nós mesmos.

Talvez Deus esteja quebrando alguns paradigmas dentro de nós.

Talvez estejamos tão acostumados com determinados padrões que, quando a luz começa a aparecer, não conseguimos enxergá-la.

Mas a Palavra nos chama à renovação da mente.

Não precisamos perder o temor do Senhor. Não precisamos perder a reverência. Não precisamos abandonar aquilo que é verdadeiro.

Precisamos apenas ter coragem para perguntar:

Por que eu faço isso?

Eu faço porque conheço a Deus ou porque foi assim que me ensinaram?

Eu faço por amor ou por medo?

Estou buscando a Deus ou apenas repetindo um padrão religioso?

E talvez essa seja uma das maiores libertações: descobrir que podemos nos aproximar de Deus sem precisar viver aprisionados pelo medo.

Jó disse:

“Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem.”

Que essa também seja a nossa oração.

Que não precisemos esperar a perda para conhecer a Deus.

Que não precisemos esperar a dor.

Que não precisemos esperar o sofrimento.

Que possamos conhecê-lo hoje.

No dia da alegria.

Na mesa cheia.

Na família reunida.

Na celebração.

No silêncio do quarto.

Na oração espontânea.

Na vida cotidiana.

Porque Deus não é encontrado apenas na dor.

Ele também está presente na alegria.

E talvez a luz já esteja começando a sair.

Não percebeis?

quarta-feira, 8 de abril de 2026


 A nossa Casa e o Selo Cura


Muitas vezes, a nossa vida é como uma casa em obras, mas uma obra que parece ter parado no meio do caminho. Olhamos para as paredes e o que vemos são rachaduras, trincas profundas que expõem a nossa fragilidade. A verdade é que nós somos essa casa. Por dentro, nossa alma muitas vezes está assim: marcada por fissuras, por dores que o tempo não apagou e por situações que nos deixam com essa sensação de algo inacabado.

A casa deveria ser um lugar de acolhimento, de intimidade e de família, mas como ter comunhão quando as paredes do coração estão rachadas?

É aí que entra o que é mais fantástico e poderoso: a ação do  sangue de Jesus. 

Imagine a cena de um pano bem molhado, encharcado com esse sangue, sendo passado com todo cuidado e reverência exatamente sobre as trincas. O sangue não apenas cobre a parede; ele escorre para dentro das rachaduras, preenchendo cada espaço vazio, cada fenda aberta. Ele escorre pelas mãos, toca a nossa humanidade e traz o que nenhum cimento ou reforma humana consegue trazer: a cura de dentro para fora.

O sangue de Jesus nas nossas rachaduras é o que traz a restauração para as áreas da nossa vida que estão "em carne viva". É o sacrifício d'Ele selando o que estava quebrado em nós.

Pode ser que hoje você olhe para a sua vida e sinta que a obra está incompleta, que o que você esperava ainda não aconteceu. Mas a esperança é real porque Aquele que começou a boa obra em nós é poderoso e fiel para completá-la. Ele não desistiu da construção. Ele está cuidando de cada detalhe, passando o sangue d'Ele sobre as nossas dores e transformando a nossa casa inacabada em um lugar de cura e de plena restauração.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026



IMATURIDADE ESPIRITUAL E MATURIDADE ESPIRITUAL


Toda mãe entende o processo do crescimento. Primeiro, o leite. Depois, a papinha dada na boca. Mas esse ciclo não dura para sempre. Chega o tempo em que a criança precisa aprender a comer sozinha. A mãe continua fazendo o alimento, continua cuidando, mas para de colocar a comida na boca.
Isso não é abandono. É amadurecimento.
Na vida espiritual, muitos permanecem presos às mesmas fases. Vivem dependentes do alimento que vem do pastor, do líder, da célula, do culto de domingo. Já chegam preparados para receber a comida pronta, sabendo que haverá louvor, palavra, tudo organizado.
Mas a pergunta que precisa ser feita é:
como está a vida espiritual fora da igreja?
O que acontece na segunda-feira, quando não há culto?
Na terça, na quarta, quando ninguém está colocando comida na boca?
Muitos substituem a busca pessoal por vídeos, pregações online, mensagens prontas. E embora isso tenha seu valor, ainda não é maturidade plena. Ainda é alguém mastigando e entregando pronto.
Maturidade começa quando nasce o desejo de caminhar alguns passos sozinho.
Pegar a Bíblia.
Abrir.
Ler.
Orar.
Pedir a Deus discernimento, clareza, entendimento.
Não se trata de rejeitar mestres, pastores ou líderes. Deus usa pessoas para ensinar. Mas existe algo que ninguém pode fazer no lugar do outro: buscar a Deus pessoalmente.
Há pessoas com anos de igreja, anos de ministério, mas que não sabem viver a fé fora do templo. Sabem o que fazer dentro da agenda da igreja, mas não sabem sustentar uma vida espiritual no secreto, no cotidiano, no silêncio da casa.
O mesmo empenho para estar no culto, na célula, no grupo, no ministério  precisa existir para estar diante de Deus durante a semana inteira.
Porque Deus não cria filhos para uma dependência espiritual infantil.
Ele continua sendo Pai.
Ele continua provendo o alimento.
Mas espera filhos que aprendam a se servir.
A mesa está posta.
A Palavra está aberta.
Agora, a decisão é pessoal:
continuar esperando alguém dar comida na boca
ou crescer e aprender a comer sozinho diante de Deus.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026



A Oferta de Abel e Caim

 Quando medito sobre a história de Caim e Abel, algo sempre me chama a atenção: de onde surgiu, dentro deles, essa vontade de fazer algo para Deus? Essa iniciativa não nasceu do nada. Ela nasceu de algo que foi transmitido. Caim e Abel não acordaram um dia, olharam para o céu e concluíram sozinhos que existia um Criador a quem deveriam oferecer algo. Eles tinham conhecimento de Deus porque alguém falou de Deus para eles. E esse alguém foram seus pais. Adão e Eva, mesmo depois da queda, não se esqueceram de Deus. Eles sabiam quem Ele era, sabiam o que haviam vivido no Jardim do Éden, conheciam a comunhão que tinham com Ele, o pecado que cometeram e as consequências disso. E tudo isso foi passado adiante. Os pais transmitiram aos filhos o temor do Senhor, a obediência, a importância do relacionamento, da intimidade e da comunhão com Deus. O que muda, então, não é o que foi ensinado, mas como cada filho absorveu esse ensinamento. Abel absorveu profundamente tudo aquilo que recebeu. Aquilo desceu ao coração, criou raízes e gerou algo dentro dele: desejo de relacionamento com Deus. E desse relacionamento nasceu uma consequência natural: o desejo de dar algo para Deus. A oferta não foi o começo; ela foi o resultado. O relacionamento veio primeiro, e a oferta foi consequência desse relacionamento. Caim também absorveu, mas de forma superficial. Seu relacionamento com Deus era raso, e, por isso, sua entrega também foi rasa. A consequência foi diferente, não porque os pais ensinaram de forma diferente, mas porque a absorção foi diferente. Relacionamento superficial gera atitudes superficiais. Aqui aprendemos algo muito sério e muito lindo ao mesmo tempo: a consequência da absorção espiritual aparece nas atitudes. Aquilo que entra profundamente no coração gera frutos profundos. Aquilo que entra superficialmente gera frutos superficiais. Quando a Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar”, ela está falando de apresentar Deus, de viver Deus diante dos filhos, de transmitir quem Ele é. Os pais lançam a semente, mas cada filho decide o quanto essa semente vai penetrar no coração. O relacionamento com Deus gera consequências. E uma delas é o desejo de agradá-Lo, de se relacionar com Ele, de oferecer algo que nasce de dentro, não por obrigação, mas como resposta de um coração que aprendeu a amar a Deus.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025


 Esses dias, conversando com alguém, ouvi uma frase que ficou ecoando dentro de mim:

“Voltei a frequentar a igreja.”

A frase não é errada. Ela carrega, inclusive, um desejo sincero. Mas, enquanto a conversa seguia, algo foi ficando claro no meu coração: muitas vezes, nos preocupamos tanto em frequentar uma igreja, uma instituição religiosa, que acabamos deixando em segundo plano aquilo que é essencial ter vida com Deus.

Foi ali que compartilhei algo simples, mas profundo: mais importante do que estar num templo é viver Cristo. Porque frequentar uma igreja, por si só, não garante relacionamento, não garante transformação, não garante que a luz de Cristo esteja sendo refletida no nosso dia a dia.

E foi a partir dessa conversa que essa reflexão nasceu.

Às vezes, ouvimos alguém dizer com muita sinceridade: “Voltei a frequentar a igreja”. A frase, por si só, não é errada. A igreja é importante, o culto é importante, a comunhão é importante. Mas existe um ponto que precisa ser pensado com cuidado: voltar a frequentar a igreja não pode se tornar, aos nossos olhos, mais importante do que ter vida com Deus.

Porque de que adianta frequentar uma igreja se não há relacionamento com Deus? De que adianta estar presente num templo se não há vida com Cristo, se não há transformação, se não há reflexo da luz de Cristo no dia a dia?

Muitas pessoas se preocupam em estar dentro de um templo, mas não se dão conta de que a vida cristã não começa ali. Ela não nasce no culto de domingo. Ela não se limita a quatro paredes. A vida com Deus começa no cotidiano, na rotina comum, no coração que escolhe caminhar com Ele todos os dias.

Antes de nos preocuparmos em frequentar uma instituição religiosa, precisamos nos preocupar em ter vida com Deus.

Muitas pessoas se preocupam em estar dentro de um templo, mas não se dão conta de que a vida cristã não começa ali. Ela não nasce no culto de domingo. Ela não se limita a quatro paredes. A vida com Deus começa no dia a dia, na rotina comum, no coração que escolhe caminhar com Ele todos os dias.

Antes de nos preocuparmos em frequentar uma instituição religiosa, precisamos nos preocupar em ter vida com Deus. Em viver Cristo. Em andar com Ele. Porque o que realmente conta não é quem somos dentro da igreja, mas quem somos fora dela.

Dentro do templo, muitas vezes, é possível sustentar uma aparência. Mas é aqui fora que a fé se revela de verdade. É no trabalho, em casa, na família, nas relações, nas escolhas diárias. Aquilo que somos no culto deveria ser apenas a continuação do que já somos durante a semana.

O culto não cria a nossa vida com Deus. O culto reflete a nossa vida com Deus.

Quando chegamos a um culto, não deveríamos ir para “buscar” Deus como se Ele estivesse distante durante a semana. Chegamos para estender, para expressar, para compartilhar aquilo que já foi vivido na intimidade diária com Ele. Se a nossa relação com Deus só começa quando entramos na igreja, então algo está fora do lugar.

Deus se importa com o culto, sim. Mas Ele se importa, principalmente, com aquilo que somos todos os dias. Com a forma como vivemos, como tratamos as pessoas, como reagimos, como amamos, como perdoamos, como permanecemos fiéis quando ninguém está olhando.

Muitas vezes falamos de intensidade espiritual como se ela precisasse ser algo extraordinário, visível, fora do comum. Mas existe uma intensidade silenciosa, profunda, real. Uma intensidade que se revela em atitudes, em coerência, em fidelidade, em constância. Uma intensidade que talvez ninguém aplauda, mas que reflete Cristo.

Não existe fórmula pronta para a vida com Deus. Não existe regra engessada, nem modelo único. A intimidade é construída no secreto, no relacionamento pessoal, no caminhar diário. Cada um aprende a buscar, a orar, a se relacionar com Deus de forma sincera e verdadeira.